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"Prá que buscar o paraíso se até o poeta larga o livro sente o perfume de uma flor no lixo e fuxica". Cazuza |
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October 19 O que vejoUm curso de fotojornalismo me colocou nas ruas de São Paulo. Caminhava em busca de uma matéria e, de repente, meus olhos se deixam ficar num amontoado de lixo cuidadosamente organizado. Ali, diante desse cenário, descubro símbolos, cuidados, valores e me dou conta de que o aparentemente feio esconde belezas.
Tomo a decisão de aprofundar o assunto. Dirijo-me a um depósito de papel para conhecer um pouco mais dos homens e mulheres que trabalham puxando a carroça de materiais reciclados, dividindo a rua com carros velozes e trânsito fechado.
Desde então todas as semanas dedico algumas horas para estar com eles.
E o que vejo é mais, muito mais do que eu mesma poderia imaginar. No fim de tarde, depois de entregar o papel, eles se encontram entre uma boa prosa e o trabalho cooperativo no depósito. Na rua, são articulados. Procuram demolições, reformas de imóveis. Fazem contato para conseguir materiais de melhor preço.
São invisíveis, mas fortes. Sobreviventes de um sistema pensado para poucos.
Algumas fotos estão no álbum.
September 22 ExperiênciasExperimento minha inexperiência e comprovo que aprender dói... Ui! Dói muito.
Mas não saber aproxima, estreita laços e relações.
Então, apesar da dor, aprender é uma das coisas mais gostosas da vida.
Estou curtindo muito essa história de não saber e precisar aprender. September 05 NoiteA densa escuridão é quebrada pela luz baixa do carro.
Enxergo pouco ou quase nada...
À minha frente uma lua, um risco dourado no céu me faz companhia.
Vou pensando nos meus amores, nos meus valores...
Nas coisas que deixei, nas que não abro mão...
Aos poucos vou me revelando, me deixando ver...
Com cuidado, com medo... Devagar como a lua...
Será que ela como eu se desconhece e por isso se mostra assim tão pequena, tão frágil, só um risco, um rabisco de luz? August 10 A língua... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, botifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras. " Pablo Neruda Escultura de mimTodos os dias preciso esculpir-me de novo.
nunca pronta, sempre inacabada.
Quero ser imagem, uma miragem
Quero ser par... constituir cenários
Quero sabor, sentido e cor. Quero ser sal.
Fazer sentido mesmo inativo.
Depois de tudo, deitar-me em seus vales
e invés de morte, quem sabe encontrar a vida...
Descanso...
Amor, ternura e paixão...
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